sexta-feira, 9 de abril de 2010

Da avenida Paulista para a Roosevelt

Muito Feliz! Com muitas saudades desse amigo maravilhoso e excepcional ser humano, buscando pelo google da vida, me deparei com essa matéria. E chorando muito, mas de alegria, posto ela aqui, com a certeza de que nada é em vão, que apesar de trabalhar, ou melhor fazer a rua, como ele mesmo diz... faça chuva ou faça sol, ele esta sendo reconhecido.
Parabéns Paulo! Vc merece! Um matéria em um dos melhores e mais competentes jornais do país.

Da avenida Paulista para a Roosevelt



Há 16 anos Paulo Gaeta leva seus tipos cômicos à avenida. Agora, ele pode ser visto também no palco
Maiara Camargo, maiara.camargo@grupoestado.com.br






O bacharel em Direito Paulo Cerruti Gaeta, de 59 anos, sabia que não seria advogado antes mesmo de concluir a universidade. O curso, que fez aos 25 anos, por insistência da mãe, serviu apenas para dar mais certeza sobre sua verdadeira vocação: o teatro. Talvez pelos três anos em que passou preso no escritório de uma companhia de seguros, hoje aproveita a liberdade de ser um artista de rua, mesmo que o retorno financeiro não seja dos melhores.






Quem passa pelo lado ímpar da Avenida Paulista aos sábados e domingos, mais ou menos às 16h, tem a chance de ver o pequeno circo que Gaeta monta em frente ao casarão número 1.919. A cada dia, um novo show, com um personagem diferente. O artista, que se apresenta na região há 16 anos, oferece versões cômicas de Charlie Chaplin, Marilyn Monroe, Jesus Cristo, Drácula, drag queens e até Monga, a mulher que se transforma em macaco dentro de uma caixa de papelão, que esconde apenas a cabeça do artista.






“Minha primeira apresentação foi com um grupo de alunos. Mas aos poucos eles foram desistindo e eu virei uma espécie de ‘one man show’. Hoje, o que faz mais sucesso são as figuras femininas”.






Logo depois de deixar o Direito, Gaeta estudou arte dramática com a atriz e diretora Myriam Muniz (1931-2004). Dar aula acabou se tornando também uma opção para ele. Especialista em commedia dell1arte (teatro popular improvisado), chegou a ensinar teatro simultaneamente em dez escolas. Hoje, é professor em apenas um colégio.






“Antigamente, era só bater nas portas que elas se abriam, agora, a situação é diferente”, conta o ator. Sem constrangimentos, ele declara que depende da ajuda financeiramente de uma tia para sobreviver. “Ela me incentiva desde pequeno. Tomou o lugar da minha mãe, quando ela morreu”.






Além das salas de aula, o contato próximo com as crianças era garantido pelo show do Tio Penáceo, personagem com o qual Gaeta se apresentou por 30 anos em festas infantis. “Comecei fazendo um show de fantoches na Praça Marechal Deodoro. Graças ao boca a boca, fui chamado para participar de festas de criança. Minha referência era o Arrelia, o palhaço da minha infância”, diz.






Recentemente, o trabalho do ator chamou a atenção do diretor amazonense Francisco Carlos. “Ele viu minha apresentação na rua e me convidou para fazer um papel na peça Banana Mecânica (leia mais abaixo). Depois desse, já estamos negociando outro espetáculo.”